sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O menino que carregava água na peneira

Gostaria de compartilhar mais uma coisinha... Fui no último encontro presencial do Curso MGME na quarta-feira para apresentar minha sequência didática e lá uma poesia me chamou muito a atenção. Ela fala a respeito da persistência e de que nunca devemos perder a esperança em nossos alunos pois uma coisa simples pode dar frutos mais a frente, e mesmo nas "peraltagens" pode haver o fruto de uma grande descoberta que muitas vezes não enxergamos de imediato... Ah, e claro, que nós, professores, sempre iremos "carregar água na peneira"... Um trabalho árduo, mas que vale a pena!

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos

- Manoel de Barros -



Disponível em: http://poetriz.wordpress.com/2006/01/11/o-menino-que-carregava-agua-na-peneira/, acesso 09/08/2013.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Anúncios Publicitários

Aqui estão alguns anúncios publicitários criados pelos alunos do 8º ano depois de uma sequência didática na qual estudamos o gênero passo a passo para depois fazermos a produção.







quinta-feira, 6 de junho de 2013

Mais um pouco de evolução da língua!


A língua em constante evolução.



Este era pra ser o nosso "Boi da Cara Preta"
Boa noite!

A mágica do "Felizes para Sempre"

Para aqueles que pensam que um Conto de Fadas é simplesmente uma história de ninar, surpresa: esse gênero textual pode ter muito mais a acrescentar do que se pode imaginar!
Pesquisas mostram que os Contos de Fadas atuais, aqueles começados por "Era uma vez", podem ajudar - e muito - no desenvolvimento cognitivo da criança que o escuta. Além disso, pode também contribuir para o desenvolvimento do autocontrole do ouvinte, além de torná-lo mais preparado para as dificuldades da vida real.
Nas histórias, sempre há um herói - ou heroína - que buscam incessantemente alguma realização durante todo o enredo, realização esta que é adquirida somente no final da história, após passar por muitas dificuldades, geralmente causadas por um vilão. A criança, ao escutar a história, torna-se mais preparada para os desafios que virão pela frente, sabendo que sua dedicação em vencê-los pode trazer-lhe alguma recompensa, que nos Contos de Fadas é simbolizado pelo "Felizes para Sempre".
Outra curiosidade do gênero é que essas histórias não foram criadas originalmente pra crianças. Ao contrário do que se imagina, elas foram inventadas para entreter adultos e suas primeiras versões eram repletas de canibalismo, assassinatos, incestos, adultério... Elas só foram transformadas em histórias infantis por Charles Perrault no século XVII, na França.

Confira mais sobre o assunto na enciclopédia virtual Wikipédia, pelo link:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Contos_de_fadas

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Como me interessei pela leitura? Foi mais ou menos assim:


Lembro-me da primeira vez que um livro me fez chorar: “Zezinho, o dono da porquinha preta”, da Série Vaga-lume. Foi uma leitura exigida pela minha professora de Língua Portuguesa, na 5ª ou 6ª série, não me recordo ao certo... Só sei que leríamos a obra para fazer uma avaliação mais tarde, com perguntas a respeito de suas características e enredo. Muitos colegas - já na época - coletaram resumos da internet, mas eu quis desvendar o que havia naquelas páginas amareladas que estavam diante de mim...
Foi mágico. A cada página, a cada capítulo, eu me envolvia mais e mais com aquela história e me imaginava nela, observando de perto tudo o que Zezinho passava, como se eu estivesse lá, pessoalmente. Via Zezinho rindo, cuidando de “Maninha” - sua porquinha - chorando, sofrendo... Até que, depois de tanto sofrimento, a atitude do pai de Zezinho em finalmente abraçar o filho e demonstrar amor por ele fez com que lágrimas começassem a brotar em meus olhos, involuntariamente... O livro havia me tocado... aquele inocente livro havia me tocado... Era uma sensação diferente, única, “muito melhor que televisão”... na TV as cenas estavam prontas, na obra não... eu poderia imaginar o lugar do jeito que eu bem entendesse, as personagens do jeito que eu quisesse... Foi como flecha de Cupido acertando o reino sombrio de Hades. Não pude ficar inerte. Apaixonei-me, rendi-me, entreguei-me. Desde aquele momento, não parei, até hoje, de ler. Leio tudo... adoro ler... e não serei eu se não o fizer...

Por: Diane B. Moreira - eu mesma.